Conversas de Além-Túmulo: Obsessões simuladas

OBSESSÕES SIMULADAS

Esta comunicação nos foi dada a propósito de uma senhora que deveria vir pedir conselhos para uma obsessão, e a respeito da qual tínhamos julgado dever previamente aconselhar-nos com os Espíritos.

“A piedade pelos que sofrem não deve excluir a prudência, e poderia ser imprudência estabelecer relações com todos os que se apresentam a vós, sob o império de uma obsessão real ou fingida. É ainda uma prova pela qual deverá passar o Espiritismo, e que lhe servirá para se desembaraçar de todos os que, por sua natureza, perturbassem o seu caminho. Ultrajaram, ridicularizam os espíritas; quiseram amedrontar aqueles a quem a curiosidade atrai para vós, colocando-vos sob o patrocínio de satanás. Nada disto teve êxito; antes de se render, querem assestar uma última bateria, pronta para abrir fogo, que, como todas as outras, redundará em vosso proveito. Não podendo mais vos acusar de contribuir para o incremento da alienação mental, enviam-vos verdadeiros obsedados, diante dos quais esperam que fracasseis, e obsedados simulados, que naturalmente vos seria impossível curar de um mal imaginário. Tudo isto em nada deterá o vosso progresso, mas com a condição de agir com prudência e aconselhar os que se ocupam dos tratamentos obsessivos a consultarem os seus guias, não só quanto à natureza do mal, mas sobre a realidade das obsessões que poderiam ter que combater. Isto é importante, e aproveito a ideia que vos foi sugerida, de antes pedir um conselho, para vos recomendar a agir sempre assim no futuro.

Quanto a essa senhora, é sincera e realmente sofredora, mas atualmente nada se pode fazer por ela, a não ser aconselhar que peça, pela oração, a calma e a resignação para suportar corajosamente sua prova. Não lhe faltam instruções dos Espíritos; seria mesmo prudente afastá-la de toda ideia de correspondência com eles, e aconselhá-la a se entregar inteiramente aos cuidados da medicina oficial.

Doutor Demeure

Observação – Não é só contra as obsessões simuladas que é prudente nos precavermos, mas contra os pedidos de comunicações de toda sorte, evocações, conselhos de saúde, etc., que poderiam ser armadilhas estendidas à boa-fé, de que poderia servir-se a malevolência. Convém, pois, não aceder aos pedidos desta natureza senão com conhecimento de causa, e em relação a pessoas conhecidas ou devidamente recomendadas. Os adversários do Espiritismo veem com desgosto o desenvolvimento que toma, contrariamente às suas previsões, e espreitam ou provocam as ocasiões de o pilhar em falta, seja para o acusar, seja para ridicularizá-lo. Em semelhante caso, é melhor pecar por excesso de circunspeção do que por imprevidência.
Allan Kardec

Allan Kardec. Revista Espírita, janeiro de 1869.

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