Fluido Nervoso: Revista Espírita, janeiro de 1866

Fluido Nervoso: Revista Espírita, janeiro de 1866:

(…) Esse estado, que chamamos emancipação da alma, ocorre normalmente e periodicamente durante o sono; só o corpo repousa para recuperar suas perdas matérias; mas o Espírito, que nada perdeu, aproveita esse descanso para se transportar onde quer.

Além disto, ocorre excepcionalmente todas as vezes que uma causa patológica, ou simplesmente fisiológica, produz a inatividade total ou parcial dos órgãos da sensação e da locomoção; é o que se passa na catalepsia, na letargia, no sonambulismo.

O desligamento ou querendo-se, a liberdade da alma é tanto maior quanto a inércia do corpo é mais absoluta; é por esta razão que o fenômeno adquire o seu maior desenvolvimento na catalepsia e na letargia.

Neste estado, a alma não percebe mais pelos sentidos materiais mas, podendo-se exprimir-se assim, pelos sentidos psíquicos; é porque suas percepções ultrapassam os limites comuns; seu pensamento age sem o intermédio do cérebro, é por isto que ela desdobra as faculdades mais transcendentais do que no estado normal.

Tal é a situação da jovem B…; também disse ela com razão que “quando passa da vida comum a esse modo de vida superior, parece-lhe que um véu espesso cai de seus olhos.”

Tal é também a causa do fenômeno da segunda vista, que não é outro senão a visão direta pela alma; da visão à distância, que resulta no transporte da alma ao lugar que ela descreve; da lucidez sonambúlica, etc.

“Quando Louise B… vê as pessoas vivas, os estragos do tempo desaparecem, e tendo-se perdido algum membro, subsiste ainda para ela; a forma corpórea permanece integralmente reproduzida pelo fluido nervoso.

“Se ela visse simplesmente o corpo, vê-lo-ia tal qual é; o que ela vê, é o envoltório fluídico; o corpo material pode ser amputado: o perispírito não o é; o que se designa por fluido nervoso não é outro do que o fluido perispiritual.” (…)

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