Obsessão no mundo espiritual: O Livro dos Espíritos 971 a 973

Obsessão no mundo espiritual: O Livro dos Espíritos 971 a 973:

971. A influência que os Espíritos exercem uns sobre os outros é sempre boa?

— Sempre boa da parte dos bons Espíritos, é claro. Mas os Espíritos perversos procuram desviar do caminho do bem e do arrependimento os que consideram suscetíveis de serem arrastados, e que, muitas vezes, levaram para o mal durante a vida terrena.

971. a) Assim, a morte não nos livra da tentação?

– Não; mas a ação que os maus Espíritos exercem sobre os outros Espíritos é muito menor do que sobre os homens, porque eles não têm mais o incentivo das paixões materiais. (Veja a questão 996.)

996. Uma vez que os Espíritos veem o mal causado pelas suas imperfeições, como se explica que existam os que agravam essa situação e prolongam sua condição de inferioridade fazendo o mal como Espíritos, afastando os homens do bom caminho?

– Espíritos que agem assim são aqueles em que o arrependimento é tardio. O Espírito que se arrepende pode se deixar arrastar de novo pelas tendências inferiores, por outros Espíritos ainda mais atrasados. (Veja a questão 971.)

972. Como os maus Espíritos fazem para tentar outros Espíritos, uma vez que não possuem o auxílio das paixões?

– Se as paixões não existem materialmente, existem no pensamento dos Espíritos atrasados. Os maus alimentam os pensamentos deles arrastando suas vítimas para os lugares onde têm o espetáculo dessas paixões e tudo que pode excitá-las.

972. a) Mas por que estimulam essas paixões, uma vez que não têm mais objetivo real?

– É precisamente para provocar o suplício: o avaro vê o ouro que não pode possuir; o libertino, orgias das quais não pode fazer parte; o orgulhoso, honras que inveja e de que não pode desfrutar.

973. Quais são os maiores sofrimentos que podem suportar os maus Espíritos?

– Não existe descrição possível das torturas morais que são a punição de certos crimes. Mesmo os que as sofrem teriam dificuldades para dar uma ideia delas; mas, certamente, a mais horrível é o fato de pensarem estar condenados para sempre. (Veja a questão 101.)

• O homem faz, dos desgostos e dos prazeres da alma após a morte, uma ideia mais ou menos elevada, de acordo com sua inteligência, que, quanto mais desenvolvida for, mais essa ideia se depura e mais se desprende da matéria; compreende as coisas sob um ponto de vista mais racional, em vez de tomar ao pé da letra imagens de uma linguagem figurada. A razão mais esclarecida, ao nos ensinar que a alma é um ser todo espiritual, nos diz, por isso mesmo, que ela não pode ser afetada pelas impressões que agem sobre a matéria, embora não esteja livre de sofrimentos nem de receber a punição de suas faltas. (Veja a questão 237.)

237. A alma, quando está no mundo dos Espíritos, ainda possui as percepções que possuía em sua vida física?

– Sim. Tem também outras que não possuía, porque o seu corpo era como um véu que as dificultava e obscurecia. A inteligência é um dos atributos do Espírito que se manifesta mais livremente quando não tem entraves.

As comunicações espíritas têm o propósito de nos mostrar o estado futuro da alma, não como uma teoria, mas como uma realidade, ao colocar sob nossos olhos todas as ocorrências da vida após a morte, mostrando-as ao mesmo tempo como consequências perfeitamente lógicas da vida terrestre.

E embora livre das ideias fantasiosas criadas pela imaginação dos homens, essas consequências não são menos angustiantes para aqueles que fizeram um mau uso de suas vontades e aptidões.

A diversidade dessas consequências é infinita, mas pode-se dizer, de modo geral: cada um é corrigido pelas faltas que cometeu. É assim que uns são punidos pela visão incessante do mal que fizeram; outros, pelos desgostos, o medo, a vergonha, a dúvida, o isolamento, as trevas e pela separação dos seres que lhe são queridos, etc.

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