Obras Camille Flammarion

Obras de Camille Flammarion

O popularizador da Astronomia e divulgador do Espiritismo, “de estatura regular, de expressiva fisionomia, o ilustre astrônomo parece concentrar em seu olhar toda a energia de sua alma, toda a vivacidade de seu espírito. Até o nome leva o selo de sua natureza e, por assim dizer, o signo estranho de seu destino (Flamma Orionis…)” (Biografias, Artículos y Datos Espiritistas, recopilados por E.E.G. – Madrid – Revista Psicologia La Irradición, 1896).
Era descendente de modesta família de lavradores. Aos 4 anos sabia ler. Na Escola Comunal foi o primeiro da classe, conquistando, nos primeiros cursos, uma Cruz de Honra, que guardava como recordação de seu primeiro mestre, o Senhor Crapelet.

Sua desencarnação ocorreu, aos 83 anos, em Juvisy-sur-Orge, França, tendo sido “inhumé dans son jardin”, no vasto Parque do Observatório, de Juvisy, no dia 4 de junho de 1925. “Il est mort comme um poète, comme um amourex du ciel.” Com a sua desencarnação, sua esposa Mme. Gabrielle Camille Flammarion (quando solteira, Gabrielle Renaudot, que era sua secretária) assumiu a direção do Observatório, desencarnando, porém, dois anos após.

Em 1858, com 16 anos de idade, Camille foi admitido como auxiliar no Observatório de Paris e fez parte do “Bureau des Longitudes”, como calculador. Desde muito jovem se deu a conhecer no mundo das letras com a notável obra “La Pluralité des Mondes Habités”, que escreveu aos 19 anos de idade. Ele morou em Paris, no piso mais alto de uma casa que forma a esquina da rua Cassini com a avenida do Observatório, a que se ligou muito, pois foi aí que sofreu as amargas vicissitudes da luta pela própria existência e onde gozou das maiores alegrias de sua vida. Nesta casa ele escreveu a maioria das obras que lhe deram fama; onde também, depois de casar-se, morou com a sua fiel companheira, esclarecida confidente de todos os seus trabalhos, e sua preciosa secretária.

Durante cerca de uma dezena de anos, Flammarion recebia, quase todas as semanas, extensas cartas de um Senhor chamado Meret, de Burgos, que o felicitava. – Flammarion, demasiado ocupado para responder a tal desbordamento de entusiasmo, se contentava em dar-lhe graças de vez em quando, por um breve bilhete de recebimento. Flammarion já não se preocupava com o generoso Bordelés, quando, um dia, se apresentou um notário em seu domicílio, para anunciar-lhe que M. Meret, sentindo próximo o seu fim, e não tendo herdeiros, lhe legava totalmente – objetivando que a utilizasse para seus estúdios – a bela e vasta propriedade que possuía em Juvisy, e que se chamava, no país, o ” castelo da corte de França…”

Em 1883, Flammarion fundou o Observatório Juvisy, que dirigiu durante toda a sua vida. Foi presidente da “Societé Astronomique de France” e professor do Príncipe Imperial. Em 1923 presidiu a “Society for Psychical Research”. Fez experiências, entre outras, com as médiuns Madame Girardin (na casa de Victor Hugo, em Jersey), Mademoiselle Huet e Eusápia Paladino. O “Anuário Espírita do Brasil” (1931, 1ª ed.) destaca que “o sábio das constelações siderais, com a sabedoria de mestre, provou ao mundo que os domínios da Astronomia não iam somente ao conhecimento dos corpos celestes”.

O Imperador Pedro II, amante das ciências, foi visitar o astrônomo em seu retiro e plantou, com as suas próprias mãos, no parque, para perpetuar a memória de sua passagem, um pequeno cedro do Líbano, de cujo ato Flammarion, por sua vez, gravou em uma prancha de cobre, os detalhes desse acontecimento.

Espírita sincero e fervoroso, publicou, ainda, entre outras, a obra: “A Pluralidade dos Mundos Habitados”, um estudo em que se expõe as condições de habitabilidade das terras celestes, discutidas sob o ponto de vista da Astronomia, da Fisiologia e da Filosofia Natural.

Allan Kardec faz extenso comentário dessa obra (RE – 1863 – Janeiro): “Posto não se trate de Espiritismo nesta obra”, diz, “o assunto é daqueles que entram no quadro de nossas observações” (ob. cit.), e esclarece que “a obra é dividida em três partes. Na primeira, sob o título de Estudo Histórico, o autor passa em revista a imensa lista de sábios e filósofos, antigos e modernos, religiosos e profanos, que professaram a doutrina da pluralidade dos mundos habitados, desde Orfeu até Herschel e Laplace” (ibidem).

Rendendo homenagem a Allan Kardec, o Codificador do Espiritismo, que desencarnara, repentinamente, dia 31 de março de 1869, Flammarion, a convite da Direção da Sociedade Espírita de Paris, consigna, no seu discurso, para a posteridade que “Ele era o que eu denominarei o bom senso encarnado”. As obras de Flammarion foram traduzidas para grande número de idiomas – para o inglês, espanhol, sueco, dinamarquês, italiano, húngaro, checo, holandês, romeno, russo, alemão, português – e são referidas na “Revue Spirite”, que também publica seus artigos, que relacionamos a seguir:
1863 – Janeiro: Bibliografia – A Pluralidade dos Mundos Habitados;
1863 – Abril: Os Espíritos e o Espiritismo.
1864 – Janeiro: Variedade – Fontenelle e os Espíritos Batedores.
1867 – Março: Notícias Bibliográficas – Lúmen – relato Extraterreno.
1867 – Maio: Lúmen.
1867 – Agosto: Notícias Bibliográficas – Deus na Natureza.
1867 – Dezembro: O Homem antes da História – Ancianidade da Raça Humana.
1869 – Maio: O Espiritismo e a Ciência.
(Da Revista ICESP, ano 4, nº 14, 2º trimestre/2005 – autoria Dr. Paulo Toledo Machado)

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01, A morte e o seu mistério (Vol. 1 – Antes da Morte), 1917
02, A morte e o seu mistério (Vol. 2 – Durante a Morte), 1917
03, A morte e o seu mistério (Vol. 3 – Depois da Morte), 1917
04, As casas mal assombradas, 1923
05, Como acabará o mundo
06, Deus na natureza, 1866
07, Narrações do Infinito, 1872
08, Estela, 1897

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