Orgulho (o) e a humildade: Revista Espírita, novembro de 1862

Orgulho (o) e a humildade: Revista Espírita, novembro de 1862:

Dissertações Espíritas
O Duelo – (Bordeaux, 21 de novembro de 1861 – Médium: Sr. Guipon)

2º Conseqüências espirituais

Aquele que, por humildade , como o Cristo tiver suportado o maior ultraje e, por amor de Deus, perdoado de coração, além das recompensas celestes da outra vida, terá a paz de coração nesta e uma alegria inconcebível por haver respeitado duas vezes a obra de Deus.

Aquele que, por caridade para com o próximo, lhe houver provado seu amor fraterno, terá na outra vida a santa proteção e o concurso todo-poderoso da gloriosa mãe do Cristo, pois ela ama e abençoa os que cumprem os mandamentos de Deus, os que seguem e praticam os ensinos de seu Filho.

Aquele que, a despeito de todos os ultrajes, tiver respeitado a sua e a existência de seu irmão, encontrará, ao retornar ao mundo etéreo, milhões de legiões de Espíritos bons e de Espíritos puros que virão, não honrá-lo por sua ação, mas provar, por seu desvelo em lhe facilitar os primeiros passos na nova existência, a simpatia que soube atrair e os verdadeiros amigos que fez entre eles, seus irmãos.

Todos em conjunto elevarão a Deus sinceras ações de graça por sua misericórdia, que permitiu ao seu irmão resistir à tentação.

Aquele, digo eu, que tiver resistido a essas tristes tentações, pode esperar, não a mudança dos desígnios de Deus, que são imutáveis, mas contar com a sincera e afetuosa benevolência do Espírito de Verdade – o filho de Deus – o qual de maneira incomparável inundará sua alma com a felicidade de compreender o Espírito de justiça perfeita e bondade infinita e, por conseguinte, salvaguardá-lo de qualquer outra emboscada semelhante.

Ao contrário, aqueles que, provocados ou provocadores, tiverem sucumbido, podem estar certos de que experimentarão as maiores torturas morais pela presença incessante do cadáver de sua vítima e do seu próprio; durante séculos serão consumidos pelo remorso por haverem transgredido tão gravemente os decretos celestes e serão perseguidos, até o dia da expiação, pelo espectro terrível das duas horrendas visões de seus cadáveres ensanguentados.

Felizes ainda se eles próprios aliviarem os sofrimentos por um arrependimento sincero e profundo, que lhes abra os olhos da alma, porque, então, ao menos entreverão um termo para as suas penas, compreenderão a Deus e lhe pedirão força de não mais provocar sua justiça terrível.

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