P&R: Qual é o verdadeiro ponto de partida para o entendimento do Espiritismo?

Qual é o verdadeiro ponto de partida para o entendimento do Espiritismo?
Crê-se geralmente que para convencer alguém é bastante mostrar fatos; contudo a experiência demonstra que isto nem sempre é o melhor método, porque se veem frequentemente pessoas a quem os fatos mais patentes não convencem de modo algum.

Ora, no Espiritismo a questão do Espírito é secundária e consecutiva; este não é o ponto de partida e precisamente aí está o erro no qual se cai muitas vezes diante de certas pessoas. Não sendo os Espíritos outra coisa senão as almas dos homens, o verdadeiro ponto de partida é, assim, a existência da alma.

De fato, como pode o materialista admitir que existam seres fora do mundo material, quando crê que ele mesmo não é mais que matéria? Como poderá crer em Espíritos fora dele, se não acreditar ter um em si? Em vão acumular-se provas diante de seus olhos: ele contestará todas, porque não admite o princípio.

Todo ensino metódico deve partir do conhecido para o desconhecido. Para o materialista, o conhecido é a matéria; partamos, pois, da matéria e esforcemo-nos, antes de tudo, fazendo-o observar, em convencê-lo de que nele há alguma coisa que escapa às leis da matéria. Em uma palavra, antes de torná-lo espírita, cuidemos de torná-lo espiritualista.

Antes, pois, de empreender convencer um incrédulo, mesmo pelos fatos, convém assegurar-se de sua opinião com relação à alma, isto é, se crê em sua existência, em sua sobrevivência ao corpo, em sua individualidade depois da morte. Se sua resposta for negativa, será trabalho perdido falar-lhe de Espíritos.

(Allan Kardec – O Livro dos médiuns, Itens 18 e 19)

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