P&R: Que orientação Kardec fornece em relação ao tratamento dos obsidiados?

Que orientação Kardec fornece em relação ao tratamento dos obsidiados?

Lembrando que nos casos de obsessão grave o obsidiado se acha como que envolvido e impregnado de um fluido pernicioso, que neutraliza a ação dos fluidos salutares e os repele, Kardec diz que é essencial inicialmente desembaraçá-lo desse fluido, por meio de uma ação idêntica à do médium curador nos casos de enfermidade, eliminando o fluido mau com o auxílio de um fluido melhor, que produz, de certo modo, o efeito de um reativo. Como essa ação mecânica não basta, é necessário atuar também sobre o ser inteligente que produz a obsessão, ao qual importa se possa falar com autoridade, tendo sempre em conta que, para se garantir a libertação, é preciso induzir o Espírito perverso a renunciar aos seus maus desígnios e fazer com que nele despontem o arrependimento e o desejo do bem, por meio de instruções habilmente ministradas, objetivando sua educação moral. A tarefa em tais casos se torna mais fácil quando o obsidiado, compreendendo sua situação, presta o concurso da sua vontade e da sua prece. Esta é, segundo o Codificador, o mais poderoso auxiliar de quem haja de atuar sobre o Espírito obsessor.

Segundo Kardec, a cura das obsessões graves requer muita paciência, perseverança e devotamento, e exige também tato e habilidade, a fim de encaminhar para o bem Espíritos muitas vezes perversos, endurecidos e astuciosos, porquanto os há rebeldes ao extremo. Qualquer que seja, porém, o caráter do Espírito, nada se obtém pelo constrangimento ou pela ameaça. Toda influência reside no ascendente moral. Outra verdade igualmente comprovada pela experiência tanto quanto pela lógica é a completa ineficácia dos exorcismos, fórmulas, palavras sacramentais, amuletos, talismãs, práticas exteriores, ou quaisquer sinais materiais.

Finalizando, ensina Kardec que a obsessão muito prolongada pode ocasionar desordens patológicas e reclama, por vezes, tratamento simultâneo ou consecutivo, quer magnético, quer médico, para restabelecer a saúde do organismo. E, ainda que esteja destruída a causa, resta combater os efeitos.

Allan Kardec. O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XXVIII, itens 81 a 84.

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